
16.02.2012
A Câmara Municipal de Moura iniciou em Julho passado a publicação de textos sobre Banda Desenhada na sua Agenda Cultural. A rubrica tem por título “Bedeteca” e fala, de forma sucinta, sobre os personagens e os autores mais marcantes do mundo bedéfilo. Pretende-se, assim, manter uma ligação mais duradoura entre o público local e a banda desenhada e não apenas enquanto o salão Moura BD abre portas.

Iremos disponibilizando aqui os textos à medida que forem publicados.
Corto Maltese foi o personagem escolhido para abrir a série.
CORTO MALTESE: um personagem incontornável da BD

Criado pelo italiano Hugo Pratt, Corto Maltese, é um marinheiro da Marinha Mercante, nascido na Ilha de Malta, filho de uma cigana sevilhana e de um marinheiro inglês.
Corto surgiu (como personagem secundário) pela primeira vez em 1967, no nº 1 da revista Sargento Kirk, numa aventura chamada Balada do Mar Salgado.
Três anos mais tarde, Hugo Pratt foi convidado a participar com uma série na revista francesa Piff Gadget e decidiu pegar de novo no personagem. Primeiro com episódios curtos de vinte páginas e depois com aventuras de maior fôlego, a preto e branco (embora mais tarde todos os seus álbuns tivessem sido publicados em edições coloridas) e num grafismo muito polémico na altura, ao contrário do que hoje acontece onde a série é elogiada precisamente por essas características únicas.
De igual modo, a série é rica em personagens com uma personalidade muito vincada, na gestão dos silêncios e dos diálogos ou na variedade de planos que o autor utiliza.
As aventuras de Corto Maltese passam-se no início do Século XX em sítios remotos como na Manchúria, durante a guerra russo-japonesa (A Juventude de Corto Maltese), na Irlanda, no Pacífico Sul (A Balada do Mar Salgado), na China e na Sibéria (Corto Maltese na Sibéria), em Veneza (Fábula em Veneza), na Turquia, no Brasil, na Argentina, na Suiça, no Norte de África …
Nas suas aventuras, não raramente Corto encontra personagens históricos reais como o sociopata Rasputine, o escritor Jack London, o fora-da-lei Butch Cassidy ou o piloto alemão Barão Vermelho.
Deixamos aqui o convite para a leitura de uma série incontornável da banda desenhada europeia: Corto Maltese.
BeDeteca (2)
LUCKY LUKE: o “cowboy” mais rápido do que a própria sombra

Criado em 1946 pelo belga Morris (pseudónimo que advém da pronúncia do primeiro nome do artista Maurice De Bevere), Lucky Luke é um dos personagens mais célebres da BD europeia.
Em 1955, Goscinny (um extraordinário criador de argumentos humorísticos, e co-autor de, entre outros, Astérix e Iznougud) juntou-se a Morris, ficando este responsável apenas pelo desenho. Esta fase (que só terminou com a morte de Goscinny, em 1977) é considerada a melhor da série.
Apesar de ser um cow-boy (isto é, um vaqueiro), Lucky Luke actua na maior parte das suas aventuras como guia, explorador ou guarda-costas de alguém.
Sempre acompanhado por Jolly Jumper, o cavalo mais esperto do Mundo, e, por vezes, por Rantamplan, o cão mais estúpido do Universo, Lucky Luke encontra, ao longo das suas aventuras, personagens míticos do velho Oeste como Billy The Kid, Calamity Jane, Jesse James, Bufallo Bill, Sarah Bernard, ou os Irmãos Dalton. Estes últimos, que Morris, pela mão de Lucky Luke, decidiu eliminar da série (Lucky Luke mata os Irmãos Dalton durante uma aventura naquela que é a primeira e a única vez que o cow-boy utiliza o seu revolver de forma tão radical) acabarão por regressar sob a forma de mais quatro irmãos Dalton, primos dos primeiros. Morris emendou, assim, a mão, quando percebeu a enorme potencialidade destes impagáveis personagens (cujo gag mais famoso talvez seja aquele em que os quatro irmãos, presos na mesma cela, decidem abrir quatro buracos na parede para se evadirem!).
Outra nota curiosa da série prende-se com o cigarro que Lucky Luke usou durante anos ao canto da boca e que Morris decidiu substituir, em 1983, por uma palha. Este gesto valeu-lhe o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde que o distinguiu com uma medalha nas Jornadas Mundiais Sem Tabaco, em 1988.

Morris faleceu em 2001 mas Lucky Luke continua a viver novas aventuras pela mão de outros artistas como Achdé, Bob De Groot, Jean Léturgie, etc…
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